segunda-feira, dezembro 18, 2006

Tanta fartura

Mitharsky,Ben-Hur,Secretário,Dane,Caccioli,Brazete,Carlos Fonseca,Barnjak,Medane,Gena,Celestino,Lula.

O que têm estes nomes em comum?

Sim, jogavam à bola. Pois, eram cromos. O melhor de tudo? Jogaram no mesmo clube.

Afortunados famalicenses, que tiveram tal pleíade de talento cromífluo puro à sua disposição.Em quatro aninhos apenas na Primeira Divisão (90-94) conseguiram reunir esta colecção invejável, e barrar mel doce e pegajoso nas pupilas dos olhos minhotos.

A colectividade famalicense deixou saudades quando largou amarras com o intuito de ir buscar especiarias às melindrosas terras das Divisões secundárias. Não mais voltou, e o outrora orgulhoso viveiro de cromos é agora uma pequena poça de água castanha com dois ou três girinos chamados Kiwi (que também já deu o real baza), Chicabala ou Diop.

Salve-se a marca de equipamentos Lacatoni e o ambicioso patrocínio (800 anos de foral), que revelam à sua maneira uma indomável vontade de colocar o postal do Municipal 22 de Junho no correio da Primeira Liga.

Fica a recordação de equipamentos brancos cobertos de lama, cheiro a sovaco, amendoins e sangue nas chuteiras de Tanta.

Sai uma chamuça e dois autogolos para a mesa do Professor Celestino.

quarta-feira, novembro 29, 2006

O Príncipe Algarvio

Quando falamos de Príncipes africanos com penteados à Will Smith no "Fresh-Prince of Bel Air" a jogarem à bola no Campeonato Português, um nome vem-nos automaticamente à cabeça:

-Vítor Vieira.

Depois lembramo-nos que apesar de estar perto dessa descrição, o saudoso velocista VV não era Príncipe, nem africano, nem tinha um penteado à Will Smith no "Fresh-Prince of Bel Air". Mas esteve quase.

Quem será, então?

- "Voynov?" Nah. Apesar de estar perto dessa descrição, não era Príncipe, nem africano, nem tinha um penteado à Will Smith no "Fresh-Prince of Bel Air". Mas esteve perto.
- "Caccioli?" Nah. O gajo até era careca.
- "Adamczuk?" Nah. Apesar de estar perto dessa descrição, não era Príncipe, nem africano, nem tinha um penteado à Will Smith no "Fresh-Prince of Bel Air". Mas esteve quase quase lá.
- "Fatih Sonkaya?" Nah. Apesar de estar perto dessa descrição, não era Príncipe, nem africano, nem tinha um penteado à Will Smith no "Fresh-Prince of Bel Air". Mas foi por um pêlo de um careca. Tipo Caccioli.

Uma pista: Começou a carreira no "Stationery Stores FC".

- "Ah, podias ter dito antes, é claramente Peter Rufai, filho do Rei de uma tribo Idimu, nascido a 24 de Agosto de 1963."

Pois sim. Peter Rufai, há dez anos atrás o esteio da formação algarvia que de branco vestia.

Peter teve uma difícil escolha perante si logo aos 17 anos de idade: a ingrata tarefa de governar um povo enquanto comia e bebia de borla até ao fim da vida, ou atingir a fama e a glória suprema ao jogar à bola no portentoso Stationery Stores FC?

O D.Duarte Pio da Tribo Idimu escolheu a segunda opção, e não se deu nada mal, pois 14 anos volvidos estaria a respirar o ar do Olimpo, vivendo o sonho de qualquer miúdo da Nigéria: jogar no S.C. Farense.

Fazendo gala de um físico imponente e de reflexos apuradíssimos, o Príncipe do São Luís defendeu com galhardia as redes algarvias de 1994 até 1997, altura em que deixou Portugal órfão de um concorrente ao Duque de Bragança, partindo para a pátria de Cervantes e Toniño sem olhar para trás.

Porém, dado os insistentes pedidos do Partido Monárquico para que regressasse a terras Lusas, bem como a natural ambição de um dia jogar ao lado de Cuc e Armando "Le Petit" Teixeira, Peter voltou, qual D.Sebastião com a cratera lunar decalcada na face, para fazer a época de '99-2000 em Barcelos.

Porém, tão cedo chegou como partiu. Registos da época afirmam que as últimas palavras que proferiu em Barcelos antes de virar costas foram destinadas a um tal de Fiúza, dono de uma fábrica de peúgas que o Príncipe tanto gostava de usar por terem reforço no dedo grande:
-" Não deixeis nunca os vossos inimigos levarem a melhor sobre o vosso valoroso povo, senhor careca esquisito."

Mediania,pois claro.

Há jogadores que se destacam por serem bons demais.
Há jogadores que se destacam por serem maus demais. (Olá, Ronald Baroni)
Há jogadores que se destacam por serem medianos demais.

É desta última estirpe que tratamos hoje. O jogador indiferente. O cromo que nem sequer estimula motivação suficiente para se trocar com o compincha do lado. A caderneta fica incompleta? Who cares? Também é aquele gajo que não é bom, nem mau, antes pelo contrário...

Fernando Almeida é um chato. Não aquece nem arrefece. Não é bom o suficiente para dar o salto, nem é mau o suficiente para ir jogar para o Chipre com o Pedro Moita e o Zé Nando. Não tem ar de cromo, mas também não deixa de o ter.

Até na sua mediania é mediano. O nome "Almeida" é tão comum, que teve que andar com o "Fernando" colado atrás a carreira toda. Já agora, a originalidade do nome "Fernando" também não faz sombra a um Olegário Benquerença qualquer. Se nos falarem daquele gajo do Salgueiros dos anos 90 com ar de drogado que se chama Almeida, a resposta será invariavelmente um "Hã?". Se retorquirmos com um "Fernando Almeida", certamente teremos que contar com um "Ah já sei, o F. Almeida...lembro-me dele, mas também não me recordo por aí além." Pudera.
A carreira dele valeu por ser o sortudo que aparava a barba do Djoincevic antes dos jogos...

sexta-feira, novembro 10, 2006

Jorge "O Duro" Soares


Hoje decidimos recuperar a memória de um defesa-central que fez História no nosso querido Portugal. De Faro ao Funchal, passando por Lisboa e assentando arraiais no cálido luso-britânico Algarve. Nunca tanta asneira foi espalhada por um território tão vasto. Seu nome é Soares, Jorge Soares, e as memórias que nos proporcionou são indeléveis.

Jorge Manuel era um corpulento rapaz com ambições desmedidas. Figurar na galeria dos notáveis era o que lhe aquecia a plácida alma alentejana. De uma forma ou outra, lá o conseguiu. Chamem-lhe pouco ortodoxo. Ele não quer saber. Ele cospe na vossa face, ajeita o cabelo forrado a gel barato e sorri num esgar carregado de desdém.

Foi no São Luís que o Jorge cresceu para a bola. Cresceu e cresceu até não caber mais no microclima Farense, rodeado de Paixões, Serôdios e até uns esporádicos Kings. 1,87m de valentia e raça sem par seguiram então num autocarro Renex via Lisboa. Lá, sob escrutínio diário televisivo, radiofónico e adeptóniofal, as fraquezas do Jorge foram expostas num palco nacional.

Os ensinamentos de Tahar, o Khalej e Paulo Madeira foram essenciais. Tal como o clã Tanaka transformou um jovem Frank Dux (obrigado, Jean Claude Van Damme) numa máquina assassina com bom coração e olho clínico para as miúdas, estes dois transmitiram os seus ensinamentos ao jovem Soares com uma mão no ombro e um piscar de olho cúmplice.

Os ensinamentos eram partilhados de forma tão natural quanto óbvia. Tahar, o Khalej, mostrava a Jorge-San como arrumar um adversário da forma mais dura possível, com laivos de brutalidade, salpicando esta alva tela de óleo cor-sangue. Por outro lado, o guedelhudo Paulo Madeira tentava incutir no alentejano a arte de cometer no mínimo 3 fífias por desafio, e se possível um autogolo de quando em vez.

Não será necessário assegurar-vos do sucesso da missão. Jorge Soares mostrou-se um excelente aprendiz. Para além da sua mente aberta e sedenta de conhecimento, as suas naturais aptidões físicas ajudaram à festa. Os seus rins foram recentemente declarados pela Comunidade Científica do Sul de Zanzibar como "O Material Mais Duro Conhecido Pelo Bicho-Homem", suplantando o diamente por uma larga margem. Surgiram relatos vindos de Gizé, em papiros gastos(obviamente), que mencionavam o facto das Pirâmides locais terem sido construídas com os rins de antepassados do bom do Jorge.

Com todos estes atributos, seria altamente improvável que Jorge Soares não se transformasse numa máquina de inutilidade defensiva. Jogador extremamente regular, Jorge cometia erros brilhantes jogo atrás de jogo, partida atrás de partida, momento atrás de momento.

Porém, tal chorrilho de asneiras não era suficiente para o estóico defensor se dar por satisfeito. Vivíamos em plena Era Mário Jardel. 35 golos por época eram a norma. Defensores passavam inúmeras noites em branco e reviviam pesadelos no relvado. Jorge não se atmorizou. Jorge enfrentou o desafio de deixar Supermário em branco por uma jornada. Jorge elaborou um plano. Plano que iria deixar o seu nome na história como "O Homem Que Não Jogando No Campomaiorense Conseguiu Anular Mário Jardel Sem Ser À Porrada" (já agora, alvíssaras para o outro Soares, José).

O plano era simples. O plano era genial. O plano era infalível. O plano era saltar 15 minutos antes de Jardigol, aquando de um cruzamento para a área. Soares teria a certeza que iria ficar imortalizado nesse momento. Imortalizado ficou.
Sói dizer-se que amiúde Jorge ainda percorre os terrenos do defunto Estádio da Luz à procura de Mário Jardel.

Se algum dia o encontrares, Jorge, dá-lhe um bacalhau.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Yohanna Buba


Antes de mais, urge explicar que Yohanna Buba já merecia um post antes do Beira-Mar X Sporting de 27.10.06.

Posto isto, vamos iniciar mais uma verborreia desnecessária e pretensiosa sobre mais um profissional do esférico:

Em tempos idos, já nos debruçámos por diversas vezes sobre o que completa a essência de um cromo. Ou seja, o que torna de facto, um acariciador da redondinha comum num cromo? Várias respostas surgiram, umas piores, outras ainda piores. Porém, olhando para o defesa central dos indomáveis canarinhos da lusa Veneza, cedo chegamos à conclusão de que estamos na presença da grandiosidade em forma de um insuspeito corpo humano.

Escurinho como as hipóteses de manutenção da squadra-catenaccio-powered avense do maquiavélico Professor Neca, desajeitadinho como o barbeiro que Paulo Bento partilha com Pipi (Já agora,belo apodo.Pipi.Muito másculo.Boa.) Romagnoli, alto e desengonçado como o ex-Jardel Light/actual anónimo funcionário da Exponor Vinha, e com um nome capaz de rivalizar com o ex-feirense Bento do Ó (A sério...quem é que se chama Buba?Mas quem, catano?E porquê?!?), Yohanna está, como muitos outros, a um bigode da imortalidade.

Porém, e como o gajo realmente é tão pretinho que o bigode não se iria ver de qualquer forma, Bubigol decidiu estampar o seu nome na t-shirt da imortalidade de outra maneira: Decidiu ser a versão Séc.XXI de Ivo Damas. Estranhamente o Sporting de Lisboa volta a estar ligado ao caso, mas doutro prisma. Tão ou mais desagradável que o anterior. Isto por muito desagradável que seja ter o Ivo "Meteorito" Damas no plantel, claro.

sexta-feira, outubro 13, 2006

À Beira-Mar há Cromos para vender e para dar



Bravo e pegajoso defesa, os imberbes esboços de ataque dos opositores esbarravam nesta torre de betão. O hercúleo bastião defensivo era todo um ícone 80's fashion que estudou pela mais actualizada e completa enciclopédia de ridículos enfeites capilares, contrastando com o seu sóbrio e compenetrado moustache sul-americano.

terça-feira, outubro 10, 2006

No comments












Depois de Borges em Dezembro de 2004 e Figo e Peixe em Abril de 2006, eis que Tonel nos proporciona mais um post em jeito de momento Euronews...

o que seria do mundo da bola sem registos fotográficos?

segunda-feira, outubro 09, 2006

Ah fadista!


"Isidoro Rodrigues. De árbitro a cantor.
Gravou em 2003 um CD nos Estúdios Produsom Viseu com 12 temas - título “MEMÓRIAS” e “MIX MEMÓRIAS”, em 2004 edita novo trabalho “LAÇOS DE AMOR”. Actualmente está a gravar o seu terceiro álbum." (in www.artistas-espectaculos.com)

Isidoro, se nos estás a ler, aceita o nosso apelo e dá-nos cantigas com a mesma qualidade que as que criaste em campo...



sexta-feira, outubro 06, 2006

Bip Bip


"Com muita paciência o rapaz me ofereceu
Um carro todo velho que por lá apareceu
Enquanto o Cadillac consertava eu usava
O Calhambeque bip bip
Quero buzinar o Calhambeque.
Saí da oficina um pouquinho desolado
Confesso que estava até um pouco envergonhado
Olhando para o lado com a cara de malvado
O Calhambeque bip bip"

quinta-feira, outubro 05, 2006

Sexo,Drogas e Rock 'n' Roll


Cláudio era um homem de paixões. Um homem de obcessões. Latino-americano de sangue quente, amigo íntimo de D10s, o qual tratava por "tu", Cláudio era também um indivíduo misterioso, resguardado por trás de um sorriso Milton Mendiano.

Vamos por partes. Atribulada estrela do esférico intra-planetário, deixa-se comprar por uma marca de leite italiana, quando o que ele verdadeiramente gostava era da farinha colombiana. Essa marca de leite, inspirada pela alva Lisboa do início da década de 90, decide transformar determinado clube que solta uma determinada ave de rapina no relvado num entreposto comercial. Uma glorificada lata de leite condensado, se assim quisermos.

Ora bem, qualquer lata de leite condensado precisa de um rótulo. Que melhor rótulo que um sul-americano ex-baixista dos Bon Jovi que joga à bola, de cabelo rebelde e amigo pessoal do Senhor Lá de Cima que jogou cá em baixo?

-"O Miguel Ângelo dos Delfins!", respondeis vós. Mas não. Outra tentativa.
-"O Eládio Clímaco!", respondeis vós. Mas não. Outra tentativa.
-"Buturovic?...", respondeis vós. OK, tendes razão. Mas o escolhido neste caso foi mesmo Cláudio Caniggia.

Portanto, na impossibilidade de negociar o talentoso Buturovic, a certa e determinada marca de leite decidiu apostar no argentino como porta-estandarte da sua leitosa bandeira. Arrivado à capital do Império Luso, o genial avançado prometia fazer miséria nas linh...perdão...DENTRO das quatro linhas e na noit...perdão...NAS grandes noites europeias da Luz.

Cláudio de facto deixou a sua marca, mas foi nas pernas de Emílio Peixe, esse anjo caído do esférico. De resto, teve várias noites de glória,pintadas a pinceladas de génio e pura inspiração. Não foram é necessariamente num estádio de futebol.

Mas lá que deixou saudades, deixou. Os Bon Jovi nunca voltaram a ter um baixista assim.

Fat_ih

Confirma-se.

Tal como o caro Fitzx tinha adiantado em primeira mão, comparável só com a rapidez com que Postigol se coloca em posição irregular, Fat_ih (para os amigos) deixou crescer o seu 'mustache' em homenagem a Agatão. Perguntam-se, porquê Agatão???
Simples. Porque Veloso não podia e a par dele só Agatão tinha disponibilidade para comparecer fora-de-horas no Dragão com o seu bloco de notas, possuindo ensinamentos da velha-guarda na arte do cruzamento a meia altura.

sábado, setembro 30, 2006

Supra Poll Final - Cromus Majerus 2006

Nos idos de 1984, anunciámos aqui no blog a criação de uma Poll tão grande que Khadim se sentiria um mero Rui Borges em comparação com a dita cuja. O seu nome seria
Supra Poll Final, e todo o Mundo da Bola se curvaria perante a sua magnitude.
Porém, demoramos tanto tempo a dar-lhe andamento, que a sua evolução caiu num esquecimento proporcional à carreira de Paulo Vida.

Mas aqui, agora, e pela porta do cavalo...os resultados (clickar para os mirar) da
Supra Poll Final serão revelados.
Para quem não se lembra das regras, anexamos um petit refresheur de memoire:

" (...) a Sra Nova Poll, destinada a eleger o Cromo Major da época que agora finda,
irá ser dividida em três frentes - três. (...)

Teremos assim a "Preliminarus Poll Fronha Agressiva" para os maiores cromos
em termos de fronha agressiva, a "Preliminarus Poll Nominalus" para nomes
inolvidáveis, e a "Preliminarus Poll Renivaldo Pereira de Jesus" para premiar
o magnifico desempenho em campo.

Os três - sublinho, três - (repetição/hommage a João "Papagaio" Malheiro)
primeiros de cada Preliminarus Poll irão disputar a Supra Poll Final para eleição
de Cromus Majerus 2006 em conjunto, que obviamente, terá nove elementos por
onde escolher."

Pois bem, após centenas de votos desperdiçados (perdão - realizados), estes são os
artistas escolhidos pelo Povo da Bola:

"Preliminarus Poll Renivaldo Pereira de Jesus"

  1. Beto
  2. Sonkaya
  3. Moretto
"Preliminarus Poll Nominalus"

  1. Sidraílson
  2. Maxi Bevacqua
  3. Diogo Furlan
"Preliminarus Poll Fronha Agressiva"

  1. Armando "Le Petit" Teixeira
  2. Sá Pinto
  3. Milhazes
Bem ou mal escolhidos, tiveram mais do que tempo para alterar o cruel destino. Para os contestatários, é tempo de ir buscar a bola ao fundo das redes.
Estes são os felizes contemplados para a disputa do cobiçado título

Cromus Majerus 2006.
Estes são os testemunhos do passado e poetas do futuro.

Agora a bola está do vosso lado. É um livre directo e vocês são José Barroso.

Bancada ou um subtil beijo ás desamparadas malhas?
Só o tempo o dirá.


domingo, setembro 24, 2006

Uma mão cheia de cromos

Apesar dessa estirpe conhecida à boca cheia como "cromos da bola" (não confundir com site medíocre) ser um recurso praticamente inesgotável, por vezes um hiato faz bem à saúde, para além de ajudar a fazer render o peixe.

Ora cá estamos nós de volta(e porque falamos de peixe), qual Filipe Vieira a irromper por um estúdio de televisão adentro.

Mas não é de orelhas ou bigodes que falamos hoje. É de perfume. Odores agradáveis de bola pinchona sobre um relvado maroto e de joviais pontapés na mesma.

M'Jid era um pimpolho vindo de terras do além-mar, que muito prezava tratar o esférico por "tu". Essa íntima relação foi desenvolvida com passeios românticos pelas margens do Tejo rio, em Belém lusa. O romance até que tinha um je ne sais quoi de satisfatório: o esférico não se queixava do seu trato, e o marroquino não se queixava do cheiro a couro. Mas M'Jid não estava satisfeito. A sua paz interior estava sendo perturbada por uma sombra gigantesca. Uma sombra que eventualmente lhe roubaria o lugar ao sol: Youssef Fertout. Por muito açucarado que um passe de M'Jid fosse ou por muito acintoso que fosse um seu balázio em direcção às redes, nas bancadas azuis ecoava constantemente um jocoso "Este tipo nem é mau, mas o outro mouro até era melhor!"
O amigo Jid tinha tudo para brilhar, mas a sombra era grande demais.

Outro marroquino cirandava pelas ruas de Lisboa sem tapetes nem flores. O seu nome era Abdelilah Saber, e a única marca que deixou no nosso futebol foi uma punchline jeitosa:
Quim -"Sabes que o Sporting joga sempre com 10?"
Zé -"Ai é, jovem? Ora por que camandro?"
Quim -"Porque o saber não ocupa lugar."

Alheio a punchlines,até porque provavelmente não saberá o que a palavra significa, está o nosso veterano de eleição. Vítor Manuel, o estratega. Um clássico da nossa liga, que pontifica presentemente no Aves do genial Professor Neca, agindo como uma extensão do braço do Professor em campo. Outro que está a um bigode de distância da imortalidade.

Míner era parte integrante da armada espanhola flaviense de final de século, que incluia mitos hercúleos como Baston e José Maria Aznar. OK, este último não, mas deu para ficarem com uma ideia. Míner era como Toniño e Dani Diaz ou álbuns novos dos Xutos: nem bom, nem mau, antes pelo contrário.

Finalizamos com um homem que não está habituado a ficar para o fim: Carlos Costa.
Auto-denominado "O HOMEM DOS GRANDES GOLOS", este vetusto-polivalente defesa-central-lateral-trinco-medio-ofensivo-box-to-box-
-extremo-avançado-ponta-de-lança fez as delícias do povo português durante anos a fio, sem olhar para trás. Um facto desconhecido do grande público é que o próprio pediu para ter como última morada o Panteão Nacional, juntamente com outras figuras históricas de Portugal (mais ou menos relevantes que o sr.Costa). Juntamente com esse evento, Carlos Costa sugeriu que o dia do seu aniversário fosse declarado feriado nacional e denominado "Dia dos Grandes Golos". A resposta do Exmo.Presidente da República ainda não foi tornada pública.

terça-feira, setembro 19, 2006

Quem é quem?











Alguém se lembra dele?
Ou melhor... Alguém se conseguiu esquecer dele?

terça-feira, setembro 05, 2006

Duarte & Companhia



Qual casacão de couro e cinturela
afivelada do Pintinho à Clint Eastwood…
Qual gravata do Paulinho à Coco Chanel ilustrando em campo o seu toque de bola aveludado…
Qual gravata do Vitinho, roubada em pleno túnel das Antas ao mister Jorge Jesus no fim dum mítico jogo, enquanto o mesmo mandava uma pequena ‘esvaziadela’ no poste mais próximo, ainda como treinador-adjunto do Caxias…
Mas serão melhores os fatinhos de tonalidade dúbia do Ruizinho e de ‘Paul Couto McGrath ’?

Em tudo, uma geração de ouro.

sábado, julho 01, 2006

Afinal havia outra


Aqui está o outro bonézinho da moda, um José Mota vintage 2000.

Um outdoor publicitário com duas pernas. Pernas essas, marcadas pelos anos de duras e enlameadas batalhas no batatal de Paços de Ferreira.

Só falta o "COACH" do homem do garrafão.

segunda-feira, junho 26, 2006

E já que de mitos tratamos...

Outro achado. Encontrar isto é o mesmo que ouvir ecos das exibições de José Calado no Poli Ejido.

Provavelmente o mais mítico boné da história do futebol luso, superando por pouco o afirmativo boné "COACH" de Álvaro Garrafão Magalhães e o laranjinha "Plus" de José Mota, o Franz Beckenbauer da Mata Real.

Salvé boné.

Mais uma dissertação, por Mr. Bungle

Chega o Verão e as estradas a caminho da praia enchem, tal como as bancadas do saudoso S. Luís dos tempos de ribalta - vamos ao Algarve.

De Faro sempre chegaram lufadas de ar fresco no que concerne à cromologia. Sobejamente conhecidos os méritos de Paixão, de personalidade escarrapachada no nome; de Hassan, a enorme referência no ataque, com ou sem Ramadão, assim como de Hajry, mais atrás no campo; ou de Pereirinha da escovinha, de Jorge "Judas" Soares, da lenda King; ou ainda de Pitico, espécimen de velocidade felina - iria depois fixar-se no Algarve e consta que ainda faz miséria em peladinhas de praia.

Na retaguarda desta linha de generais, um pelotão de bravos cromos ousou a sua própria sorte em determinados momentos da história recente da sempre conturbada colectividade que era o Sporting Clube Farense. Os exemplos seguem-se.

Foi quase um par romântico da altura, lembramo-nos bem: a relação Paixão - Miguel Serôdio. Uma marca indelével na defesa algarvia, estes dois rapazes. Falava-se em Paixão e logo se acrescentava: Miguel Serôdio, como se de um par de cerejas se tratasse. A justaposição de dois seres num só. Uma sociedade perfeita.

Serôdio, no entanto, sempre foi mais conservador do que Paixão, impetuoso índio algarvio, perfil esquerdista emprestado da América Latina. Isso trouxe problemas a Serôdio, mais preocupado com questões práticas da vida - ele deixava o cabelo crescer desgrenhadamente e a pêra por aparar apenas para colocar a bola fora do S. Luís ou, pelo menos, parar o jogador adversário com uma violenta placagem. Serôdio mandava as bolas para o quintal enquanto Paixão definia como alvo a 6ª cadeira a contar da esquerda da última fila das bancadas; Serôdio batia onde podia, Paixão gritava com o árbitro após cirúrgica entrada ao joelho; Serôdio esgotava-se no campo, Paixão pirateava cassettes e arrotava junto do plantel nos balneários, para risota geral. Por isso, Serôdio acabou por ficar um pouco ofuscado em relação a Paixão, com augúrios por confirmar na plenitude. Ainda assim, esteve numa fase bonita da vida do Farense - tendo mais sorte do que, por exemplo, o espanhol Fernando Porto.

Nas laterais, Eugénio e Raul Barbosa. Era tormentoso para Eugénio encontrar portentos de força pela frente, do género de um Vinha ou Serifo; mesmo o mais desajeitado dos altos avançados, Miguel Barros, autêntica curiosidade futebolística, causava dificuldades a Eugénio. Tudo porque Eugénio estabilizou a sua altura nos iniciados e tudo para ele era gigantesco, hercúleo. Raul Barbosa, cabelo louro à surfista, passeava os caracóis no relvado e deixava a arte futebolística na gaveta, junto ao pente e aos óculos escuros.

Raul Iglésias, na baliza, não sendo como Julio a cantar, até se dava melhor com microfones do que entre os postes, onde a sua longilínea figura não escondia a dificuldade em captar bolas matreiras. Também passaram por lá um rugoso Peter Rufai e um Lemajic no início da sua epopeia frango-lusitana, que dispensam mais comentários.

Na zona central do campo, houve o Ademar em final de carreira, como o ex-FCP Quim; Hugo, jovem promessa de singelo nome e pequena estatura, cujo futuro se revelou ainda mais medíocre que um livre directo do alentejano Paulo Banha Torres (de preferência, se este último estivesse ainda com aquele estilo de cabelo a que se convencionou chamar "mullet"), e um gordito Paulo Pilar, estilo baixista de hard-rock anos 80, a ocupar o campo como podia. Só para não falar do Punisic, Besirovic, Helcinho, Carlos Costa (beijou os calcanhares da imortalidade), Tozé, João Oliveira Pinto e Sérgio Duarte, que tantas tardes de prazer proporcionaram às bancadas do S. Luís, com as superiores cheias, os South Side Boys a incentivar e a música do clube a debitar no equipamento de som.

A marcar golos, ou quase isso, foi difícil atingir o nível patenteado por Hassan. Fernando Cruz, nos derradeiros raios de sol da moda do bigode, Moussa N'Daw, nome lindo numa cara não tão bela, e o persistente, alto e terrivelmente desengonçado Djukic bem tentaram. Talvez Curcic tenha chegado a patamares mais próximos de Hassan, com a sua figura de jugoslavo convertido em alemão de leste a infernizar as redes adversárias defendidas por guardiões do calibre de José Nuno Amaro (se este fenómeno tivesse a sorte de jogar). Curcic, porém, cedo preferiu outras areias que combinassem bem com o dourado dos seus caracóis e foi cheio de esperanças para o Estoril, depois de Belém, onde encontrou Mladenov em final de carreira e juntos beberam umas imperiais perto da Marginal.

Uma palavra para o "mijter" Paco Fortes, o mais algarvio dos catalães, que com uma inebriante personalidade briguenta, mola no banco, gritos descontrolados, braços cruzados com vigor inaudito e bigode resistente a quase todas as promessas, escreveu as mais lindas páginas da instituição farense, as suficientes para votar ao esquecimento quem lhe seguiu, um ou outro treinador ou dirigente espanhol - alguém se lembra do nome deles? O Farense morreu; viva o Farense!

by Mr. "O trinco que não complica" Bungle

O Gentleman das Alturas

Após umas férias prolongadas do blog, ao jeito da relação Hélder Postiga/golo, pedimos perdão aos nossos leitores,tal como JVP após V7go. Com a mesma simplicidade, com sinusite mais ligeira, sem o mesmo teor de vergonha extrema, mas com o maxilar mais direito.

Porém, regressamos em força. Em força e com força. Para tal, fizemos um verdadeiro achado. Algo verdadeiramente fora do comum. Do fundo do baú, onde também nos deparámos com uma camisola do Benfica que dizia - não...gritava! - "Rushfeldt 9". Mesmo ao lado da "Luzhny 3". Não querendo banalizar o tema fundo do baú, vamos a isto:

Quando se fala de guarda-redes carecas, muitos de vocês pensarão em Fabien Barthez, esse magnífico cromo das épocas nos vermelhos de Manchester, carinhosamente conhecido no estádio onde outrora um jovem trinco chamado Costa defrontou Eric Cantona, como "palhaço". Simples, mas representativo das suas performances "Massimo Taibianas".

Outros de vós, contudo, pensarão quiçá em Andrzej Wozniak, orgulhoso portador do "look" contabilista, ao qual só faltava uma pastinha de couro na mão para completar o bigodinho cuidado e a vetusta careca. Contabilista, passe o trocadilho foleiro, que punha de facto os adeptos Portistas a fazerem contas á vida.


Ora bem, postos de lado estes dois postais, friso aquela que nesta altura já é a escolha mais que óbvia. Falo do mitológico mito de Acque Flaviae. The Master of Disaster. El Presunto Implicado. O Careca Voador. O Coveiro de Esperanças. O "B" da Besta. O Luvas de Pelica. O Gentleman das Alturas. Aqui está ele, o homem que era tão educado que convidava cada e toda a bola a anichar-se no fundo das suas redes, o SENHOR Baston.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...